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August 16, 2011
November 28, 2010

E nesse dia eu sonhei que podíamos estar todos juntos. Podíamos compartilhar os mesmos sonhos, podíamos explorar as passagens secretas da velha construção e buscar pelos tesouros perdidos em meio às estórias que ouvíamos. Podíamos deitar com os rostos colados e rir dos contos que havíamos inventado, das brincadeiras que havíamos tentado, das noites em que não havíamos dormido. Deitaríamos naquele leito imenso e eterno, cairíamos no sono em nosso interminável abraço, aprenderíamos uns com os outros a ter Coragem, a amar incondicionalmente, a nos proteger irremediavelmente.
E nesse dia eu acordei e percebi que não compartilhávamos dos mesmos sonhos, que não amávamos incondicionalmente, que nossas almas, tão opostas, não permitiriam que ficássemos para sempre juntos. Percebi como, no fundo, não nos conhecíamos verdadeiramente.
Nesse dia, acordei. Mas nunca, jamais deixei de sonhar.
October 25, 2010
The Greatest Storyteller
Ela sentou-se na banqueta de madeira e passou a olhar pela janela. Fitava algum ponto sem importância da paisagem pálida, pensei, embora o sol me impedisse de enxergar seu rosto. Ouvi seus pensamentos:
“Acho que, ao fim e ao cabo, somos mesmo fracos. Covardes, de certa forma. Somos parecidos demais, cópias antigas de papel carbono que, da maneira mais dolorosa e ridícula possível, enfraquecem até desaparecer.
(…)
Alguma coisa se quebrou naquele dia. De fato, estamos quebrados; desmanchando, aos poucos. Não conhecemos a fúria do mundo, não vimos guerra alguma, não encontramos a podridão, não fomos apunhalados, não sujamos nossas mãos de sangue - talvez você o tenha feito, mas eu não conheço esse seu eu -, não testemunhamos qualquer tipo de mácula ou desgraça cair sobre nossas cabeças. Não teríamos direito algum de sentir tamanha dor, no entanto, experimentamos algum tipo de violência extrema e dela nunca mais nos separamos. Estamos infestados, saturados, recheados dessa violência, até o nível mais profundo de nossas almas, carregamos nos olhos toda a brutalidade crua e - sobretudo - cruel a que fomos expostos.
Saudade, sentimos tanta saudade. Não sabemos dizer o que foi perdido, não sabemos onde, não sabemos quando. Mas sentimos a falta, colossal, mais pesada do que o mundo, mais fria do que toda a indiferença, mais asfixiante, mais cortante, mais sem sentido, mais…
Ora, we are people so deeply addicted to pain.
Eu sei contar todas as estórias de amor do mundo. É uma pena…”
“Acho que, ao fim e ao cabo, somos mesmo fracos. Covardes, de certa forma. Somos parecidos demais, cópias antigas de papel carbono que, da maneira mais dolorosa e ridícula possível, enfraquecem até desaparecer.
(…)
Alguma coisa se quebrou naquele dia. De fato, estamos quebrados; desmanchando, aos poucos. Não conhecemos a fúria do mundo, não vimos guerra alguma, não encontramos a podridão, não fomos apunhalados, não sujamos nossas mãos de sangue - talvez você o tenha feito, mas eu não conheço esse seu eu -, não testemunhamos qualquer tipo de mácula ou desgraça cair sobre nossas cabeças. Não teríamos direito algum de sentir tamanha dor, no entanto, experimentamos algum tipo de violência extrema e dela nunca mais nos separamos. Estamos infestados, saturados, recheados dessa violência, até o nível mais profundo de nossas almas, carregamos nos olhos toda a brutalidade crua e - sobretudo - cruel a que fomos expostos.
Saudade, sentimos tanta saudade. Não sabemos dizer o que foi perdido, não sabemos onde, não sabemos quando. Mas sentimos a falta, colossal, mais pesada do que o mundo, mais fria do que toda a indiferença, mais asfixiante, mais cortante, mais sem sentido, mais…
Ora, we are people so deeply addicted to pain.
Eu sei contar todas as estórias de amor do mundo. É uma pena…”
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